terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O que não te contaram sobre as Orações Eucarísticas



O que não te contaram sobre as Orações Eucarísticas[1]

Por Dom Cassian Folsom, O.S.B.[2]


Nas edições latinas do Missal Romano de 1970 e 1975 há quatro Orações Eucarísticas - pode ser que aumentem na terceira editio typica que sairá neste outono [3]. Nas edições americanas mais recentes do Missal Romano, além das quatro já mencionadas, há outras cinco incluídas no apêndice: duas para a Reconciliação e três para as Missas com crianças. Assim, durante os últimos vinte e cinco anos, o Rito Romano teve uma experiência de muitas Orações Eucarísticas.

Dom Cassian Folsom, O.S.B, ao fundo.
No entanto, isto não foi sempre assim. Durante uns 1600 anos antes, o Rito Romano somente conheceu uma única Oração Eucarística: o Cânon romano.
Hoje, em uma paróquia média, a Oração Eucarística II é frequentemente a mais usada, inclusive no domingo. A Oração Eucarística III também se utiliza com bastante frequência, sobretudo aos domingos e dias festivos. A quarta Oração Eucarística apenas se utiliza um ou outra vez; em parte porque é longa, em parte porque em alguns lugares dos EUA foi extraoficialmente proibida devido ao uso frequente da palavra "homem". A primeira Oração Eucarística, o Cânon romano, que havia sido utilizada no Rito Romano exclusivamente durante mais de um milênio e meio, hoje em dia quase nunca se utiliza. Como disse um liturgo especialista italiano: "seu uso hoje é tão mínimo que estatisticamente é irrelevante." [4]
Isto é uma mudança radical na liturgia Romana. Por que não há mais pessoas conscientes da enormidade desta mudança? Quiçá, como se dizia o Cânon em silêncio, seu conteúdo e sua dignidade era conhecidos pelos sacerdotes - com certeza -, mas não pela maioria dos leigos. Portanto, quando se começou a dizer em voz alta e em língua vernácula a Oração Eucarística, com quatro orações para escolher - e o Cânon Romano era escolhido em raras ocasiões, se o era alguma vez -, o leigo não se dava conta de que 1600 anos de tradição se haviam desvanecidos como uma civilização perdida, deixando poucos rastros para trás, e, era de interesse somente para arqueólogos e turistas.
O que ocorreu? Por quê ocorreu? Como devemos responder a nova situação? Estas perguntas são o tema deste trabalho.
O que ocorreu é grande para contar, porque o período de história da liturgia em questão é complicado e complexo. No entanto, é necessário seguir de perto o caminho do desenvolvimento das intrincadas transformações, para estar em condições de compreender por que as coisas ocorreram como o fizeram.

1. Sacrosanctum Concilium (4 de dezembro de 1963)

O artigo 37 do esquema da liturgia - no documento final seria numerado artigo 50 - trata do Ordo Missae. Nos debates sobre este texto, somente um dos Padres do Concílio, o bispo Wilhelm Duschak, S.V.D., pediu uma nova oração eucarística, justamente para substituir o Cânon romano ou para que fosse utilizada como alternativa [5].
Uma das Seções do Concílio Vaticano II
Por outro lado, vários Padres em seus comentários sobre o artigo 37/50 sublinharam que o Cânon não deveria ser tocado. Na própria votação, um número de votos placet iuxta modum expressaram as mesmas reservas. O relator respondeu dizendo que estas preocupações já haviam sido refletidas na frase "tomando-se o devido cuidado para preservar a substância dos ritos" (probe servata eorum substantia), porém a Comissão Pós-conciliar abandonaria esta posição.
Segundo Jungmann, a mente do relator era que devia dar-se margem à tarefa pós-conciliar da reforma [6]. Em qualquer caso, nem o esquema nem o texto final da Sacrosanctum Concilium faz nenhuma menção de novas orações eucarísticas.

2. Iniciativas privadas para revisar o Cânon romano ou compor novas orações eucarísticas (1963-68)
No entanto, as iniciativas privadas para revisar o Cânon romano já se estavam realizando. Duas destas iniciativas foram publicadas em revistas científicas: a de Hans Kung em 1963 [7], e Karl Amon [8] em 1965 [9]. Muitas outras novas composições de orações eucarísticas as seguiram, algumas delas publicadas e algumas não. Um dos elementos mais importantes desta história é a pressão política exercida pela Igreja dos Países Baixos sobre a Santa Sé.

Leia mais: Baixe o livro GRÁTIS sobre a fé do Papa Francisco

Entre 1965 e 1966, antes de que se permitisse a língua vernácula para o Cânon, já estavam circulando traduções do Cânon e textos de novas orações eucarísticas na Holanda [10]. A Conferência Episcopal Holandesa, na pessoa do bispo Jean Bluyssen de Hertogenbosch, presidente da Comissão Litúrgica Nacional e membro da Comissão Pós-conciliar para a realização das Reformas Litúrgicas - depois Consilium -, apresentou uma solicitação oficial à Santa Sé para a permissão de uso destes textos. (Nota: primeiro a experimentação não foi autorizada, mas foi depois por pressão). No outono de 1966, ocorreram muitas idas e vindas de mensagens e emissários entre os Países Baixos e Roma como a finalidade de resolver o problema. Annibale Bugnini, o secretário do Consilium, informa o que ocorreu:

"A raiz da visita do Padre Bugnini à Holanda, se constituiu uma comissão especial para o exame de umas anáforas apresentadas pela Comissão Litúrgica do dito país. Depois de várias reuniões viu-se que era difícil aprová-las. O Consilium havia sugerido aos holandeses para que esperassem as novas orações eucarísticas que estavam preparando." (Bugnini, p. 407, n.8).

Em janeiro de 1967, os que tinham autoridade chegaram a um acordo de que haveria de se conceder algumas das petições da Conferência holandesa: entre essas solicitações, a tradução do Cânon e o estudo e eventual aprovação de três novas anáforas. O Papa Paulo VI nomeou uma comissão curial especial para que se considerasse "se não convinha estender as concessões previstas para a Holanda a outros países ou a toda a Igreja" (Bugnini, p.93).

Beato Papa Paulo VI e o secretário do Consilium, Annibale Bugnini, já sagrado bispo

No entanto, muitos grupos e partidos, não estando dispostos a esperar a palavra de Roma, simplesmente seguiram adiante por sua conta. Os bispos holandeses elegeram onze orações eucarísticas das muitas que estavam em circulação e as publicaram para seu uso oficial (11 de novembro de 1969). Os bispos de língua flamenga da Bélgica fizeram o mesmo, mas limitaram a seleção a cinco orações (1 de novembro de 1969). Um ano antes, os bispos da Indonésia haviam dado sua aprovação a dez orações eucarísticas (24 de outubro de 1968). As orações holandesas foram traduzidas ao alemão [11] (1968) e passaram por muitas impressões (cf. Bugnini, p. 410). Na França, havia uma centena de orações eucarísticas em circulação [12]. Bernard Botte se queixa em 1968 sobre a total anarquia que reinava nas zonas de língua francesa pelo uso de orações eucarísticas não autorizadas [13].
Enquanto todas estas iniciativas privadas estavam acontecendo, o que estava ocorrendo no âmbito oficial?

3. Grupo de Estudo do Consilium e seu trabalho no Ordo Missae (1965)
A Oração Eucarística em si não foi originalmente uma preocupação do Consilium, mas a revisão do Ordo Missae. Este foi atribuído ao Grupo de Estudo. No decorre da tarefa, a questão do Cânon romano surgiu inevitavelmente. Bugnini nos descreve a situação:

"Cânon romano: Esta era a questão mais delicada e complexa. Por um lado, a veneração por esta Oração fazia titubear o grupo diante da perspectiva de trocá-la; por outro lado, as propostas dos estudiosos e os pedidos dos pastores impulsionavam a dar-lhe um ordenamento distinto, mais lógico. Para resolver os problemas, se acordou experimentar com três formas revisadas do Cânon romano" (Bugnini, p. 302).

Cânon Romano ou Oração Eucarística I

Logo saíram as notícias destes experimentos, e várias pessoas se queixaram diante da Santa Sé. O que ficou evidente foi que a mão direita não sabia o que estava fazendo a mão esquerda. Bugnini informa que o Secretário de Estado, o cardeal Cicognani, escreveu ao presidente do Consilium, o cardeal Lercaro, em 25 de outubro de 1965 e de novo em 10 de dezembro de 1965, pedindo precaução extrema (Bugnini, p. 132, n.28). Aos 7 de março de 1966, o secretário de estado comunicou esta mensagem do Papa Paulo VI ao Consilium:

"... apresso-me a comunicar-lhe o desejo de Sua Santidade de que o Cânon mesmo não seja tocado, ao menos por hora; toda eventual mudança deverá ser, portanto, submetida à aprovação explícita do Santo Padre, o qual, por sua vez, pensa que não deve se fazer mudança alguma no Cânon sem prévios estudos documentados e rigorosos e, se chegar ao caso, sempre depois de consultar o Episcopado. Tenho que vos lhes dizer que, considerado em conjunto, quiçá seja melhor deixar o texto tradicional inalterado; isto, no entanto, não significa que o estudo da matéria não continue" (Bugnini, p. 132, n.28).

O Santo Padre estava freando, mas não desanimando um estudo posterior.
O Consilium, por outro lado, voltou ao tema da oração eucarística alguns meses mais tarde, apresentando uma nova solicitação a Paulo VI em 25 de maio de 1966:

"Se chegara ao momento de voltar a estudar a questão da composição de uma nova oração eucarística, tendo presente as dificuldades que o atual Cânon romano apresenta desde o ponto de vista pastoral, o Grupo [de Estudo] se sentiria honrado se pudesse redigir os projetos. Nesse caso se sentiriam igualmente obrigado a conseguir que também na nova oração brilhe claramente o gênio romano, de modo que a Missa romana seja coerente com o espírito da liturgia romana" (Bugnini, p. 396).

Um mês depois, em 20 de junho de 1966, o cardeal Lercaro apresentou a seguinte solicitação ao Santo Padre:

Cardeal Giacomo Lercaro
"O texto da Oração Eucarística [Cânon Romano] apresenta muitas e delicadas dificuldades diante de uma eventual revisão e igualmente apresenta problemas, não pequenos, à sua conservação íntegra. O Cânon romano, sobretudo se recitado em voz alta, resulta pesado por sua mesma invariabilidade e por seus elementos demasiado locais, como são as listas dos santos... As propostas avançadas por muitos se inclinam por uma revisão do texto que implicaria a redução dos elementos citados e a reorganização das intercessões (Memento, Communicantes, Nobis quoque), de modo que a Oração Eucarística tenha maior unidade em sua relação com o prefácio, o Sanctus e a anamnesis. Mas todo retoque é sempre perigoso, sobretudo tratando-se de pôr a mão em textos de uma tradição tão veneráveis. Parece mais conveniente conservar integralmente o texto tradicional do Cânon e redigir uma ou mais fórmulas de Orações Eucarísticas inteiramente novas que se adicionaria à tradicional como alternativas, com o fim de dispor também de uma maior variedade de textos" (Bugnini, p. 396).

É interessante individualizar os motivos da mudança proposta:

1 - O Cânon romano resulta pesado se recitado em voz alta, porque sempre é o mesmo.
2 - A lista dos santos é demasiada local.
3 - O Cânon é insatisfatório desde um ponto de vista estilístico e requereria uma remodelação considerável com o fim de aparecer como uma só unidade literária.

Apesar destas objeções ao Cânon romano, entretanto, o Consilium fez o juízo cautelar de que era demasiado perigoso manipular o texto, e de que era melhor, portanto, oferecer algumas alternativas com objetivo de responder aos defeitos mencionados, e de oferecer alguma variedade. Como informa Bugnini, "a decisão do Papa fui precisa: 'Deixe-se a anáfora sem mudá-la: componha-se e busque-se duas ou três anáforas para usá-las em tempos determinados'" (Bugnini, p. 396)
Se se toma literalmente, esta decisão deixaria a primazia do lugar ao Cânon romano, uma vez que acrescenta várias outras orações eucarísticas ao repertório, com uma função subsidiária. (De fato, isto não foi o que aconteceu). Os "tempos determinados" não se especificaram, e o Santo Padre deixou aberta a possibilidade de apropriar-se novas anáforas da tradição ou de compor orações inteiramente novas.
Com esta luz verde do Santo Padre, o Consilium se pôs a trabalhar imediatamente.

4. Vagaggini e o verão de 1966

Livro de Cipriano Vagaggini
O Grupo de Estudo, que trabalhava no Ordo Missae, foi agora ampliado para responder à nova tarefa por fazer. O Padre Vagaggini, um monge beneditino e professor no Pontifício Ateneo de Santo Anselmo em Romano, passou o verão de 1966 na biblioteca de Mont-César, na Bélgica, fazendo um exaustivo estudo sobre o Cânon romano e compondo duas novas orações eucarísticas - que são a base para as atuais Orações III e IV. O trabalho de Vagaggini foi publicado em forma de livro no mesmo ano [14]; assim, a discussão passou do círculo restringido do Consilium ao foro público geral, aumentando as expectativas de uns e arrepiando outros (como Jungmann) [15].
As propostas de Vagaggini foram depois examinadas por todo o Grupo de Estudo, vários peritos, e os Padres do Consilium. Decidiu-se atuar sob as instruções de Paulo VI adotando duas anáforas já existentes, a de Hipólito - inspiração para a Oração Eucarística II - e a anáfora alexandrina de São Basílio - que acabou recusada devido a certas dificuldades teológicas. As novas composições adotadas foram as duas propostas por Vagaggini.
Josef Andreas Jungmann, SJ,
um dos principais promotores
do Movimento litúrgico
Uma das principais razões dadas para propor estas novas anáforas foi o princípio da variedade. Segundo o arcebispo Annibale Bugnini, durante o tempo de secretário da Congregação para o Culto Divino, "este tipo de variedade pareceu necessário para poder dar à liturgia romana aquela maior riqueza espiritual e pastoral que não se pode fechar em um único texto" (Bugnini, p. 398).
Nas explicações dadas para estes novos textos, se colocou uma ênfase em seu tamanho. Dos três novos textos que foram finalmente aprovados, um é bastante curto (OE II), um é médio (OE III) e um bem comprido (OE IV), já que inclui uma exposição resumida de toda a economia da salvação.

5. Passos no processo até a promulgação oficial
De maneira muito esquemática, estes são os passos que o texto das novas Orações Eucarísticas recorreu para receber sua aprovação final (cf. Bugnini, p.406-409):

A - Abril de 1967: o esquema foi aprovado pelo conselho presidencial do Consilium, e logo pelos Padres. Foi enviado ao Papa em 3 de maio de 1967. (O esquema também incluiu novo novos prefácios).
São Basílio Magno
B - O Santo Padre ordenou que o esquema fosse enviado à Congregação para a Doutrina da Fé e à Congregação de Ritos (junho de 1967). A CDF não aprovou a anáfora - literalmente, "oferenda", outro nome [usado no oriente] para a Oração Eucarística - alexandrina de São Basílio pelo problema teológico da epiclese (invocação do Espírito Santo).
C - 10 de julho: Por ocasião do próximo Sínodo dos Bispos, o Papa Paulo VI escreveu ao Consilium com estas instruções: "Pode proceder-se a preparação de um folheto [que contenha as anáforas novas] para apresentá-lo aos Rev. Padres no próximo sínodo: no entanto, considerando tudo o que se refere à fórmula da consagração, é oportuno que não seja modificada" [16].
D - O Sínodo dos Bispos se celebrou no outubro de 1967. Entre as questões litúrgicas em discussão esteve a questão das novas Orações Eucarísticas. Uma série de "perguntas pontificais" se apresentaram antes aos Padres para uma votação aos 14 de outubro de 1967; entre elas a pergunta: "Se aprova que, além do Cânon romano, se introduzam na liturgia latina outras três Orações Eucarísticas?". Dos 183 Padres com voto, uma grande maioria disse que sim, 22 disseram que não e 34 disseram que sim, com ressalvas (placet iuxta modum) [17]. Os modi são os seguintes:

1. O Cânon romano deve ocupar sempre o lugar de honra e ser usado aos domingos e festas mais solenes.
2. Formule-se, para o uso de uma ou outra forma, normas bem concretas e não se deixe ao arbítrio do celebrante.
3. As novas Orações Eucarísticas sejam [utilizadas] somente para com grupos seletos bem preparados.
4. Antes de colocá-las em prática, submeta-se ao exame das Conferências Episcopais e instrua-se bem os fiéis.
5. Não se admitam somente três novas Orações Eucarísticas, mas mais, tomando-as das liturgias orientais; além disso, deixe às Conferências Episcopais a faculdade de compor outras próprias.
6. Seja revisado também o Cânon romano, para facilitar seu uso.

Como se pode ver, nem todos os modi seguiam a mesma línea de argumentação. Bugnini comenta que o valor da votação foi "muito relativo" porque os Padres não estavam votando como representantes reais de suas conferências episcopais, mas como bispos individuais (Bugnini, p. 308). Em qualquer caso, a resposta do Sínodo foi amplamente favorável.
E - No entanto, a publicação das novas Orações Eucarísticas atrasou. Bugnini atribui a demora às "costumeiras ingerências". Além disso, o secretário de estado insistiu em 28 de janeiro de 1968 em que uma instrução adequada fosse publicada junto com os novos textos.
F - A aprovação definitiva foi dada em 27 de abril de 1968.
G - As três novas Orações Eucarísticas foram promulgadas por um decreto da Congregação de Ritos em 23 de maio de 1968 [18], que também determinou que as orações podiam serem utilizadas a partir de 15 de agosto de 1968.
H - No mesmo dia foi publicado o documento "Normas sobre o uso de Orações Eucarísticas I-IV" [19]. Já que estas normas não são muito conhecidas, vale a pena citá-las aqui:

1. A Oração Eucarística I, ou seja, o Cânon romano, pode ser utilizado sempre; seu uso é especialmente adequado aos dias que contenham Communicantes próprio ou um Hanc Igitur próprio; às festas dos apóstolos e dos santos mencionados nesta Oração; também aos domingos, a menos que razões reclamem uma oração eucarística diferente. (Esta norma, na prática, reduz o uso do Cânon romano a algumas poucas ocasiões especiais) [20].
2. Devido a suas características distintivas, a Oração Eucarística II se adapta melhor aos dias de semana ou a ocasiões especiais. (Esta norma, na prática, amplia o uso desta Oração Eucarística; a característica mais destacada se refere a sua brevidade).
3. Pode-se utilizar a Oração Eucarística III com qualquer dos Prefácios; com o Cânon romano, deve ter prioridade aos domingos e festas. (Esta norma, na prática, substitui o Cânon romano pela Oração Eucarística III).
4. A Oração Eucarística IV possui um prefácio imutável... Pode-se utilizá-la sempre que uma missa não tenha prefácio próprio; seu uso é particularmente adequado para uma congregação de pessoas com um conhecimento mais desenvolvido da Escritura. (Essa norma, na prática, limita o uso desta Oração Eucarística à raras ocasiões: não pode ser usada durante os tempos fortes quando há um prefácio próprio, ou seja, Advento, Quaresma, Semana Santa. Além disso, a observação, um pouco complacente com uma assembleia mais educada, se levada sério, limitaria ainda mais o seu uso).

I - Uma semana ou mais tarde, em 2 de junho de 1968, o novo presidente do Consilium, o cardeal Benno Gut, enviou uma carta aos presidentes das Conferências Episcopais [21], junto com diretrizes para ajudar na catequese das anáforas da Missa [22].
J - A Constituição Apostólica Missale Romanum foi promulgada na quinta-feira santa, 3 de abril de 1969, mas devido a forte controvérsia, a editio typica não foi expedida até a quinta-feira santa do ano seguinte, 26 de março de 1970.

6. Problemas depois da promulgação oficial das novas Orações Eucarísticas
Poder-se-ia haver esperado que a publicação oficial do novo Missal, com três novas Orações Eucarísticas além do Cânon romano, teria posto fim às experimentações sem limites. "Se esperava que a publicação de novas Orações Eucarísticas servisse para eliminar ou atenuar este fenômeno [de muitas composições privadas em circulação]", escreve Bugnini. "Mas não aconteceu assim" (Bugnini, p. 410). Tinha-se permitido que o gênio saísse da garrafa e não voltaria facilmente a entrar. Determinadas Conferências Episcopais ignoraram os protestos de Roma. As advertências, no entanto, eram ambíguas já que a Congregação para o Culto Divino havia dado permissão a um bom número de orações eucarísticas para grupos especiais e ocasiões especiais [23].
Em 27 de maio de 1971, o Culto Divino explicou o problema ao Papa Paulo VI sugerindo que a questão necessitava ser estudada mais rigorosamente: "Acredita-se que o Instituto Litúrgico de Paris tenha colecionado e examinado mais de duzentas orações eucarísticas... Se o Santo Padre o permite, esta Congregação recolheria sistematicamente todo o material existente para examiná-lo... com o propósito de obter uma visão clara das dimensões do problema e enfrentá-lo com mais clareza e sobre uma base sólida" (Bugnini, p. 411).
Em 22 de junho de 1971, chegou a resposta da Secretaria de Estado:

"Dada a extensão do uso indiscriminado de orações eucarísticas não aprovadas, o Santo Padre deseja que a questão seja reexaminada cuidadosamente em todos seus aspectos, com o objetivo de encontrar uma solução que ponha fim a esta grave forma de indisciplina em matéria litúrgica" (Bugnini, p. 411-412).

Assim, foi designado um grupo de estudo especial em 17 de setembro de 1971 para examinar o assunto.

7. O trabalho do Grupo de Estudo Especial
Desde outubro de 1971 a março de 1972, este Grupo de Estudo Especial se reuniu várias vezes produzindo um documento de trabalho de uma centena de páginas analisando o problema e propondo soluções. Na terceira reunião, em 25-26 de janeiro de 1972, o grupo, composto de 17 membros, votou quatro perguntas (cf. Bugnini, p. 412-414):

1) Deve se autorizar um maior número de orações eucarísticas no Missal Romano?
Sim: 10; Não:3; iuxta modum:4.
2) Deve se autorizar um maior número de orações eucarísticas naquelas regiões onde as Conferências Episcopais julguem oportuno?
Sim:12; Não:0; iuxta modum:5.
3) É aceitável a proposta do n. 39a do esquema? (Ou seja, que a Congregação para o Culto Divino prepare modelos de orações eucarísticas, com a possibilidade de adaptá-las ligeiramente)
Sim:8; Não:8; iuxta modum:1.
4) É aceitável a proposta do número 29b do esquema? (Ou seja, que a Congregação para o Culto Divino proponha os critérios conforme os quais as Conferências Episcopais possam julgar ou compor novas orações eucarísticas)
Sim:8; Não:5; iuxta modum:4.

O claro consenso do grupo foi que deveria se permitir mais orações eucarísticas. Não houve um acordo claro, no entanto, sobre o papel da Congregação para o Culto Divino na guarda ou direção da composição destas orações.
Alguns dos consultores da Congregação que não haviam sido consultados sobre estas questões, mas que as apreciavam fortemente, publicaram seus próprios resultados, chegando a conclusões totalmente opostas; a saber: que era inoportuno compor novas orações eucarísticas, além das que já estavam no Missal Romano. Publicado, este informe despertou a atenção de vários setores, incluindo a Congregação para a Doutrina da Fé, e se produziu uma grande controvérsia. O secretário de estado viu-se obrigado a intervir para repreender diplomaticamente a Congregação para o Culto Divino, e fazer algo para contabilizar os danos. O Papa Paulo VI, em 28 de fevereiro de 1972, em uma audiência com Bugnini - a quem havia ordenado bispo em 13 de fevereiro de 1972 - também emitiu uma espécie de reprovação: "De novo recomendo vivamente à Congregação [para o Culto Divino] que se esforce para pôr fim à tendência de multiplicar orações eucarísticas", acrescentando uma série de explicações:

- Outras Congregações competentes na matéria deverão ser consultadas (implicando que o Culto Divino não deveria atuar por sua própria conta);
- Deve se valorizar a uniformidade da liturgia;
- Os experimentos arbitrários devem cessar;
- As Conferências Episcopais não possuem autoridade para introduzir novas orações eucarísticas, a menos que tenham recebido permissão da Santa Sé (Bugnini, p. 414-415)

Em uma reunião plenária do Grupo de Estudo Especial, de 7 a 11 de março de 1972, a Secretaria de Estado pediu que os membros fossem alertados sobre as últimas comunicações enviados por ela à Congregação para o Culto Divino, para que os Padres "não conhecendo exatamente o pensamento de sua Santidade, continuem pelo caminho marcado por peritos, não de todo conforme com as diretrizes que tenha sido comunicadas..." (Bugnini, p. 415, n.33).

8. Advertências perdidas ou ignoradas
Deste modo, havia sido enviado sinais negativos à Congregação para o Culto Divino e ao Grupo de Estudo, mas parece que estes sinais não foram bem entendidos. Ao contrário, o trabalho continuou a todo vapor e em uma sessão plenária de toda a Congregação para o Culto Divino, o esquema para as orações eucarísticas foi examinado e o assunto submetido a votação (Bugnini, n.415-416):

1. Devido a situação atual da evolução e do uso de orações eucarísticas, a autoridade competente deve fazer algo para aumentar o número das ditas orações?
Sim: 13; Não:0; iuxta modum:3.
2. Considera-se suficiente que a Santa Sé prepare algumas orações eucarísticas novas?
Sim:2; Não:12; iuxta modum:2.
3. Considera-se suficiente que a Santa Sé componha modelos que as Conferências Episcopais possam adaptar?
Sim:0; Não: 16.
4. É aceitável que as Conferências Episcopais possam compor novas orações eucarísticas, conforme os critérios propostos pela Santa Sé, submetendo-as à mesma Santa Sé?
Sim:11; Não:3; iuxta modum:2.
5. Aprovam-se os critérios expostos no capítulo VI para compor e julgar as orações eucarísticas?
Sim:9; Não:2; iuxta modum:5.

A tendência progressiva do grupo é clara. Queriam mais orações eucarísticas; a Santa Sé nem deve preparar estas orações, nem prover modelos para elas; no entanto, as Conferências Episcopais poderiam compor novas orações por sua própria autoridade.

Papa Paulo VI celebrando, segundo algumas fontes, a primeira
Missa regulada pelo Novus Ordo Missae
A informação do Cardeal Prefeito da Secretaria de Estado, em 12 de abril de 1972, foi mais equilibrada e modesta no tom, mas seguiu incluindo a sugestão de que se deveria conceder permissão às Conferências Episcopais para preparar novas orações eucarísticas, "em circunstâncias extraordinárias, situação por situação". A sugestão foi moderada, no entanto, pela condição de que a Conferência devia primeiro solicitar a autorização, e logo preparar o texto, que devia ser submetido aos organismos competentes da Santa Sé (Bugnini, p. 416). O Papa Paulo VI concedeu uma audiência ao Cardeal Prefeito em 20 de abril, emitindo uma resposta por escrito um mês depois, em 23 de maio de 1972, na qual proibia tornar público os debates em curso, mas dava autorização para que preparasse um projeto de texto de uma Instrução sobre as orações eucarísticas.
Este projeto de texto foi preparado durante os meses de verão e foi enviado ao Grupo de Estudo em 8 de setembro de 1972. Bugnini relata que "o grupo em sua quarta e última reunião aos dias 25 e 26 do mesmo mês teve um clima de desânimo" (Bugnini, p. 417). Apesar de estarem decepcionados por suas sugestões que não haviam sido bem recebidas, persistiram em sua recomendação para que se desse permissão para compor novas orações eucarísticas, em determinadas condições, às Conferências Episcopais. Em 17 de novembro de 1972, o secretário de estado enviou o projeto de Instrução à Congregação para a Doutrina da Fé. A resposta da CDF foi negativa. Bugnini diz por quê:

"Ao passo que tantos outros levantaram suas vozes para impedir a aprovação de novas orações eucarísticas: um grupo de teólogos da Comissão Teológica Internacional (11 de outubro), um arcebispo francês e aqueles consultores da Congregação do Culto Divino que havia votado contra o Grupo de Estudo; todos exerciam pressão sobre o Supremo Pastor..." (Bugnini, p. 417, n.34)

9. O "Não" do Papa: "uma ducha de água fria"
Em 11 de janeiro de 1973, o secretário de estado comunicou a resposta da CDF ao Culto Divino: "Sabendo que a Congregação para a Doutrina da Fé respondeu negativamente à oportunidade de conceder às Conferências Episcopais a faculdade de compor novas anáforas, é necessário ater-se ao dito indeferimento" (Bugnini, p. 417).
A carta do secretário de Estado também incluiu as seguintes diretrizes que logo apareceram na Instrução sobre as orações eucarísticas publicada pela Congregação para o Culto Divino:

- As Conferências Episcopais devem pôr fim aos experimentos de orações eucarísticas.
- A Santa Sé não exclui de modo absoluto a possibilidade de aprovar uma nova anáfora, mas sua elaboração e promulgação deve ser acordado previamente com a Santa Sé.
- O Missal Romano já dá margem suficiente para a adaptação [24].

A reação de Bugnini demonstra que o Grupo de Estudo estava trabalhando em um caminho bastante diferente da Santa Sé. Ele confessa: "Isto era uma ducha de água fria depois de um ano e meio de trabalho duro e inteligente [sic!]" (Bugnini, p. 418). Teve uma audiência com o Papa Paulo VI em 21 de dezembro de 1972, na qual explicou a posição do Culto Divino: a Igreja tinha que enfrentar "um fenômeno generalizado no qual não se podia pôr fim com uma simples proibição nem tampouco ignorá-lo, mas canalizá-lo a fim de que a Santa Sé pudesse, todavia, controlá-lo". O Papa expressou, então, sua decisão: "Sem mais experimentos. A Santa Sé se reserva em compor novas orações eucarísticas em casos particulares" (Bugnini, p. 418, n. 35).
Em 20 de janeiro de 1973 a Congregação para o Culto Divino esboçou, então, com diligência a Instrução em forma circular. O secretário de Estado respondeu em 31 de janeiro de 1973, dizendo: "Guardada a substância, deve-se amenizar a forma, incluindo as razões doutrinais e pastorais da decisão tomada" (Bugnini, p. 418).
O resultado de tudo isto foi um documento muito modesto, Eucharistiae participationem [25], publicado em 27 de abril de 1973. Depois de expor a situação sobre as orações eucarísticas compostas privadamente e de seu caráter abusivo, a carta diz:

"Depois de pesado todos os fatores, a decisão é que neste momento não é conveniente conceder às Conferências dos bispos uma permissão geral para redigir ou aprovar novas orações eucarísticas. Pelo contrário, considera-se que o caminho mais sábio é optar por uma catequese mais completa sobre a natureza real da oração eucarística..." [26]

A Congregação para o Culto Divino havia sido severamente castigada.

FONTE: Ars Celebrandi (wordpress). Tradução de Gabriel Luan P. Mota.
___________________________________
[1] - Este artigo apareceu publicado originalmente em inglês, em três partes, de setembro a novembro de 1966 na revista Adoremus Bulletin.
[2] - Dom Cassian Folsom, ordenado em 1984, é atualmente (2009) prior do monastério de San Benito em Nursia. Desde 1993 é professor do Pontifício Instituto de Liturgia no Pontifício Anteneo San Anselmo de Roma.
[3] - N. do tr.: a terceira edição típica a que se refere o autor se atrasou até o ano de 2002. Nesta edição [americana] foram incluídas 13 orações eucarísticas: 4 principais e 9 no apêndice.
[4] - Enrico Mazza, "The Eucharistic Prayers of the Roman Rite" (New York: Pueblo Publishing Company, 1986), p. xxxi.
[5] - Para um posterior estudo histórico que mencione esta intervenção, cf. Notitiae 8 (1972), p. 132. O bispo Duschak propôs esta ideia pela primeira vez fora da sala do Concílio, em uma conferência de imprensa, em 5 de novembro de 1962. Para mais informação, cf. G. Caprile, Il Concilio Vaticano II, vol. 2: Il primo periodo 1962-1963 (Roma, 1968), p. 114.
[6] - Josef Jungmann, "Um die Reform des Reform des römischen Kanons: eine kritische Stellungnahme zu C. Vagagginis Entwürfen", Liturgisches Jahrbuch 17 (1967) 2.
[7] - Hans Küng, "Das Eucharistiegebet: Konzil und Erneuerung der römischen Liturgie", Wort und Wahrheit 18 (1963) 102-107.
[8] - Karl Amon, "Gratias Agere: Zur Reform des Messcanons", Liturgisches Jahrbuch 15 (1965) 79-98.
[9] – Ambos os textos são convenientemente citados em Cipriano Vagaggini, "The Canon of the Mass and Liturgical Reform" (Staten Island, NY: Alba House, 1967), pp. 76-83.
[10] - Sigo a história como vem contada em Annibale Bugnini, "The Reform of Liturgy": 1948-1975 (Collegeville: The Liturgical Press, 1990) [n. do tr. todas as citações desta obra estão conforme a edição espanhola, La Reforma de la Liturgia (1948 - 1975), BAC, Madrid, 1999], p. 92-94. Já que dependo em grande parte da narração de Bugnini deste período, e o cito com frequência, todas as citações de sua obra aparecerão, a partir de agora, no corpo do texto.
[11] - Cf. A. Schilling, "Fürbitten und Kanongebete der Holländischen Kirche", Essen 1968.
[12] - Philippe Béguerie, "La Prière Eucharistique", Notitiae 20 (1984) 196.
[13] - Bernard Botte, "Où en est la réforme du Canon de la Messe?", Les Questions Liturgiques et Paroissiales 49 (1968) 138-141.
[14] - "Il canone della messa e la riforma liturgica", Torino-Leumann: Elle di Ci, 1966.
[15] - Para uma crítica das propostas de Vagaggini, cf. J. Jungmann, “Um die Reform des römischen Kanons: eine kritische Stellungnahme zu C. Vagagginis Entwürfen”, Liturgisches Jahrbuch 17 (1967) 1-7. A conclusão de Jungmann: Assim, quando se levanta a questão de um novo cânon - e isto não se deveria buscar, em primeiro lugar, em uma composição totalmente nova ou em um empréstimo (certamente, não impossível) de uma anáfora estrangeira, mas de maneira que os elementos atemporais e dignos de nossa própria tradição não fossem abandonados, mas purificados e desenvolvidos ainda mais - então, pelas razões expostas, não se encontrará a solução adequada na obra de Vagaggini. Não podemos seguir o caminho até uma liturgia estranha sem examinar cuidadosamente e fomentar nossa própria herança. O livro de Vaggagini - apesar de tudo - é uma importante peça de trabalho. Pode fazer esta contribuição: Tornar claro este ou aquele ponto e também é útil para fortalecer o ânimo de uma verdadeira reforma. Mas como sugestão concreta, suas duas propostas [OE III e IV] nem sequer deveriam ser consideradas" (p, 17).
[16] - O Consilium não satisfeito com a resposta do Papa, explicou as razões das mudanças e pediu que "ao menos nas novas orações eucarísticas, se conservasse o texto aprovado". A permissão foi concedida em 12 de outubro de 1967. Mais tarde, essas mudanças se introduziram também no Cânon Romano. Cf. Bugnini, p. 408.
[17] - Há um erro aqui no texto de Bugnini, já que os números não fecham. O texto diz "Dos 183 padres com voto, 173 disseram que sim, 22 não e 33 sim, com ressalvas". Isto faria 228 no total. [N. do tr.: na edição espanhola, p. 309, está corrigido: "Dos 183 votantes, 127 votaram sim, 22 não, 34 iuxta modum"; nesta tradução este erro já foi corrigido]
[18] - Prece eucharistica: Notitiae 4 (1968) 156.
[19] - Notitiae 4 (1968) 157-160.
[20] - N. del tr.: letra cursiva no original.
[21] - "La publication", Notitiae 4 (1968) 146-148.
[22] - "Au cours des derniers mois", Notitiae 4 (1968) 148-155.
[23] - Cf. Bugnini, p. 411 para uma lista destas concessões.
[24] - Para o texto completo, ver Bugnini, p. 417418.
[25] - Eucharistiae participationem, Notitiae 9 (1973) 192-201.

[26] - International Commission on English in the Liturgy, Documents on the Liturgy: 1963-1979 (Collegeville: The Liturgical Press, 1982), pp. 624-625.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Que aspecto teria um cisma católico alemão?


Que aspecto teria um cisma católico alemão?


Em que resultou a igreja Anglicana e a antiga igreja Católica (veterocatólicos)? Terminaram em centenas de novos cismas e seitas. Acabaram abandonando a moralidade tradicional da fé cristã, assim como abandonaram a doutrina teológica fundamental da fé.
_______________

Alguns observadores do Sínodo sobre a família, em andamento, preveem que se os cardeais liberais alemães não conseguirem alcançar seus objetivos, estes farão de qualquer maneira sua vontade. Edward Pentin, que se perfila como um dos periodistas mais perspicaz sobre questões do Vaticano, assinalou que os cardeais alemães planejam publicar seu próprio documento pastoral depois do encerramento do Sínodo.
O Cardeal Reinhard Marx destacou que as questões acerca do matrimônio, da família e da moral sexual não se podem responder durante as três semanas do Sínodo.

Cardeal Marx, arcebispo de Arquidiocese de Munique e Frisinga
e presidente da Conferência Episcopal Alemã.
Acrescentou, no entanto, que no que concerne a prática pastoral, a Igreja alemã "não pode ficar à espera" de declarações sinodais, já que o matrimônio e o ministério da família têm que ser atendidos de imediato, segundo um artigo em Die Tagespost, traduzido pelo blog Catholic Conclave.

O Cardeal Marx, arcebispo de Munique e Frisinga, manifestou que, enquanto a doutrina, o episcopado alemão mantém-se em comunhão com a Igreja, mas no que diz respeito a assuntos de cuidado pastoral "o sínodo não pode prescrever em detalhe o que necessitamos fazer na Alemanha".


O Cardeal Marx afirmou: "não somos uma filial de Roma", e tornou claro que os católicos alemães seguirão seu próprio caminho.

"Cada conferência episcopal é responsável de seu cuidado pastoral em seu próprio meio cultural, e deve proclamar o Evangelho expressando-o de sua própria maneira. Não podemos esperar até que um sínodo declare algo, já que necessitamos levar a cabo aqui [Alemanha] o ministério do matrimônio e da família.”

O espírito independente alemão nos recorda a disputa entre os Católicos holandeses sobre a infabilidade papal.

Ignaz von Döllinger, principal teólogo do
movimento Vétero.
No caso de que já o tenha esquecido, o que ocorreu foi o seguinte. Em 1870 certos bispos austríacos, suíços e alemães se manifestaram em desacordo com a declaração sobre a infabilidade do Papa. Da mesma forma que o Cardeal Marx, não desejavam considerar-se como uma "filiar de Roma" e encontraram apoio no bispo autônomo de Utrecht. Desde o início do século XVI, a Diocese de Utrecht havia se separado gradualmente da autoridade do Papa devido a controvérsia jansenista, e seu bispo começou a ordenar clérigos e bispos para o que eventualmente se transformou na "Antiga igreja Católica" (velhos católicos, veterocatólicos).

(É de notar que este cisma chamou-se a si mesmo de "Antiga igreja Católica" devido ao seu lema: "não abandonamos Roma. Roma nos abandonou". Este é ainda o lema sob o qual a maioria dos cismas "católicos" caminham).

Com o passar dos anos, os bispos da Antiga igreja Católica ordenaram uma série de bispos errantes e geraram dezenas de pequenas igrejas "católicas" independentes. A Antiga igreja Católica está, além disso, em absoluta comunhão com os luteranos e os anglicanos; contam com sacerdotisas, apoiam os anticontraceptivos, as uniões homossexuais e, realmente, as diferenças entre esta e os anglicanos liberais da igreja alta são imperceptíveis.

Jody Stowell, "bispa" anglicana.
A Igreja Católica Alemã já é, de forma preocupante, similar a Antiga igreja Católica e aos anglicanos. A Antiga igreja Católica e os anglicanos estão influenciados excessivamente por seus governos nacionais; a Antiga igreja Católica em sua formação original, e os anglicanos tanto em sua formação como por ser a igreja nacional britânica. Como tais, estão fortemente influenciadas pelas correntes culturais e pressões financeiras de um culto estatal. O mesmo ocorre com os católicos alemães, com seu imposto eclesiástico e sua integração cultural.

Em que resultou a igreja Anglicana e a Antiga igreja Católica? Terminaram em centenas de novos cismas e seitas. Acabaram abandonando a moralidade tradicional da fé cristã, assim como abandonaram a doutrina teológica fundamental da fé.

Se os católicos alemães decidem seguir o caminho do cisma, que êxitos esperam alcançar? A igreja Anglicana e a Antiga igreja Católica se encontram em uma decadência funesta, dividindo-se e subdividindo-se em cismas e seitas cada vez mais pequenas, remando para a mesma imoralidade e relativismo, em uma teologia à deriva, igual às outras denominações protestantes liberais.

Os cardeais alemães optarão por buscar seu próprio caminho?
Se assim, não haverá grande necessidade de desbravar o caminho. As vanguardas deixaram muito bem marcada a trilha.
A única coisa que necessitam fazer é seguir aos Antigos Católicos, aos anglicanos e aos luteranos.

"Mas já fazem isso!", vocês me dirão.
Efetivamente.


__________
Fr. Dwight Longenecker, presbítero católico. Convertido do anglicanismo ao catolicismo.
Disponível em InfoCatólica.

Publicado originalmente em Standing on my edge (Patheos)

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A doutrina contida na Laudato Si

A doutrina contida na Laudato Si


Nesta semana o Santo Padre lançou sua encíclica «Laudato Si» – Louvado sejas – e não faltaram polêmicas por parte dos católicos, acatólicos, anticatólicos, quem quer que fosse emitia sua opinião, e não apenas, mas também sua crítica. A uns parecia uma encíclica irrelevante, a outros foi motivo de decepção, quando na verdade é uma belíssima carta que insere um contributo importante na Doutrina Social da Igreja. 


Apresentada como sendo um documento a tratar ‘sobre o cuidado da casa comum’, a encíclica desenvolve uma filosofia onde parte-se de um princípio de responsabilidade pelo Dom recebido de Deus, a terra. Aos passos de São Francisco de Assis, o Santo Padre quer nos ensinar a conviver de forma saudável com o ambiente que vivemos, realizando uma conversão ecológica, que é mais do que sair às ruas e atar-nos às árvores, esvaziando-nos de toda pretensão de sermos deuses de nós mesmos, tomando, pelo contrário, uma atitude de criaturas, embora especiais, firmando a fé de que não somos donos do mundo.

Toda a mensagem pode ser resumida como acima foi dito, isto é, que não podemos fazer uso indiscriminado do que não é nosso, mas é um dom que recebemos, como «administradores responsáveis», e devemos transmitir às novas gerações, e que, além disso, os danos causados ao meio ambiente têm reflexo no aspecto social, atingindo principalmente os mais desfavorecidos, como os pobres e as crianças. Assim, pois, tudo isso é um pecado que clama justiça.
Feita a abordagem geral, passarei a expor e comentar alguns pontos centrais, mas que nem sempre são facilmente percebidos. Não pretendo fazer um resumo sistemático na sequência lógica da encíclica, mas apenas oferecer algumas observações sobre o ensinamento contido na encíclica.
_____________________

 Lê-se que a carta é endereçada não somente aos que creem, mas «a cada pessoa que habita neste planeta», com isso querendo afirmar que o cuidado para com a terra é dever de todos; continua a afirmar que os problemas ambientais são devidos a «atividade descontrolada do ser humano», em especial pelo progresso da técnica.

O mundo tomou-se pela técnica que estar a aniquilar as reservas ambientais sem considerar os danos causados. Citando o Papa Beato Paulo VI, diz que se os progressos científicos não estiverem unidos ao «progresso social e moral, voltam-se necessariamente contra o homem». Não que a tecnologia seja má, pelo contrário, «não podemos deixar de apreciar e agradecer os progressos alcançados especialmente na medicina, engenharia e comunicações», mas o seu uso deve ser regulado.

Um desenvolvimento tecnológico e económico, que não deixa um mundo melhor e uma qualidade de vida integralmente superior, não se pode considerar progresso. (Laudato Si, n. 194)

Uma mentalidade de autossuficiência impregnou-se naqueles que detêm o conhecimento científico, o poder científico! Não é à toa que tenha existido fatos históricos como a guerra fria, onde a ostentação das armas era o princípio compartilhado. Ele recorda-nos o «nazismo, o comunismo e outros regimes totalitários» que possuíam a tecnociência ao seu lado. Este poder não se reflete apenas na guerra ou no passado, mas está sobretudo no mercado financeiro guiado pelo consumismo.


Debaixo do consumismo está a crise do antropocentrismo moderno que, segundo o Papa, «acabou por colocar a razão técnica acima da realidade», não aceitando mais que a natureza das coisas o regulem, opondo-se mais uma vez ao projeto divino, fazendo de si mesmo um ídolo. O Santo Padre diz, no entanto, que «a realidade é superior à ideia», coisa que ele repete algumas vezes.

Se o ser humano se declara autónomo da realidade e se constitui dominador absoluto, desmorona-se a própria base da sua existência, porque ‘em vez de realizar o seu papel de colaborador de Deus na obra da criação, o homem substitui-se a Deus, e deste modo acaba por provocar a revolta da natureza’. (Laudato Si, n. 117)

Nesta perspectiva surgem ideologias que aproveitam destes erros antropológicos e imprimem entre as pessoas seus venenos, tal como a mentalidade de gênero. O homem também possui uma natureza, mas esta é negada, abrindo espaço para que os ventos carregados de malícias demoníacas entrem por estas frestas. O Papa diz que «não é salutar um comportamento que pretenda cancelar a diferença sexual», como o faz a ideologia de gênero, aproveitando justamente a negação na realidade da natureza criada por Deus e estabelecida previamente, a que o homem deve sujeitar-se.
Declara com isso o princípio de que «não há ecologia sem uma adequada antropologia», reforçando a ideia de que não será possível haver um mundo ecologicamente sustentável com as premissas antropológicas revolucionárias da modernidade. É necessário que o homem saia do trono do altíssimo e ponha-se no seu lugar, na eminência da criação, mas sempre dentro da criação e não fora desta.

Leia também: Papa Francisco condena a união gay
Leia também: De uma Oração Eucarística a muitas

Onde ele quer chegar com tudo isso? Mostrar-nos que o problema ambiental é devido à falta de virtude da humanidade, arraigada nos vícios da soberba, avareza e luxúria. Falta humildade para reconhecermo-nos como criaturas, soma-se a isto a busca pelo prazer, esquecendo que temos irmãos frágeis que dependem de nós (veremos isso adiante) e a ganância em acumular mais do que o necessário para a subsistência própria e dos filhos.

Não é fácil desenvolver esta humildade sadia e uma sobriedade feliz, se nos tornamos autônomos, se excluímos Deus da nossa vida fazendo o nosso eu ocupar o seu lugar, se pensamos ser a nossa subjetividade que determina o que é bem e o que é mal. (Laudato Si, n.224)

É sabido que a soberba foi o pecado da queda original, e com tal, aconteceu uma ruptura na relação do homem «com Deus, com o próximo e com a terra». O mandato do Pai para que o homem domine a terra (Gn 1, 28) já não é mais entendida de modo correto, esquece-se também o mandamento de cultivar e guardar (Gn 2, 15), fazendo das relações originais um «conflito». No entanto, devemos «rejeitar que, do fato de ser criados à imagem de Deus e do mandato de dominar a terra, se deduza um domínio absoluto sobre as outras criaturas», mas devemos sempre lembrar que, em última instância, tudo pertence ao Senhor (Dt 10, 14).


Podemos, entretanto, fazer uso da criação de Deus, mas de modo responsável e respeitoso, pois somos chamados a reconhecer que «os outros seres vivos têm um valor próprio diante de Deus e, pelo simples fato de existirem, eles O bendizem e Lhe dão glória». Ligado a isto, ele fala noutro lugar, citando o catecismo, que as experiências com animais são válidas, assim como o homem pode «intervir no mundo vegetal e animal e fazer uso dele quando é necessário para a sua vida», desde que não extrapolem o «limite do razoável e contribuam para curar ou poupar vidas humanas».
A isso, os ambientalistas radicais, que afirmam que o homem possui a mesma dignidade que uma galinha ou ameba, bem como o grupo de hereges seguidores da teologia pagã de Leonardo Boff, onde prega-se que a terra é uma espécie de ser vivo divino que carrega o fardo da humanidade parasita sobre si, rasgam as vestes.

(...) não significa igualar todos os seres vivos e tirar ao ser humano aquele seu valor peculiar que, simultaneamente, implica uma tremenda responsabilidade. Também não requer uma divinização da terra, que nos privaria da nossa vocação de colaborar com ela e proteger a sua fragilidade. Estas concepções acabariam por criar novos desequilíbrios, na tentativa de fugir da realidade que nos interpela. Às vezes nota-se a obsessão de negar qualquer preeminência à pessoa humana, conduzindo-se uma luta em prol das outras espécies que não se vê na hora de defender igual dignidade entre os seres humanos. (Laudato Si, n. 90)

Neste ponto quero destacar a que consequência nos conduz o cuidado com a natureza, isto é, com a fragilidade da terra. Não pode-se querer salvaguardar esta fragilidade sem recordar outras igualmente importantes, como a dos pobres, das crianças e dos idosos. O Papa fulmina uma condenação a esta incoerência, pois como é possível pensar em salvar o ovo de uma tartaruga e não dar atenção ao assassinato de crianças por meio do aborto? É possível falar de proteção aos animais em extinção se, entretanto, abandona-se os idosos e os pobres?

É evidente a incoerência de quem luta contra o tráfico de animais em risco de extinção, mas fica completamente indiferente perante o tráfico de pessoas, desinteressasse dos pobres ou procura destruir outro ser humano de que não gosta. (...) também não é compatível a defesa da natureza com a justificação do aborto. Não parece viável um percurso educativo para acolher os seres frágeis que nos rodeiam e que, às vezes, são molestos e inoportunos, quando não se dá proteção a um embrião humano, ainda que a sua chegada seja causa de incómodos e dificuldades. (Laudato Si, n. 120)

Voltemos a um ponto chave da carta.

O Papa dá-nos algumas razões para proteger a nossa casa comum. A primeira reside no valor intrínseco da criação, pois como já afirmou-se acima, cada criatura foi querida por Deus e possui um valor particular diante dele, rendendo-Lhe glória e O louvando (Sl 148, 3-5), nelas encontramos uma «mensagem para nos transmitir». Outra razão é a de que nestas mesmas criaturas podemos encontrar o reflexo do criador, pois ‘desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, tais como o seu poder eterno e a sua divindade, podem ser contempladas, através da inteligência, nas obras que Ele realizou’ (Rm 1, 20).


Na criação, Deus pôs uma «ordem e um dinamismo que o ser humano não tem o direito de ignorar», afetando com suas ações desordenadas este mesmo ajuste, mas deve contribuir com o poder criador de Deus para desenvolver o «universo de potencialidades» inseridas por Ele na natureza. Acrescenta-se a isso o fato histórico da encarnação do Verbo que tomou parte da criação, fazendo-se homem, elevando em dignidade não somente o ser humano, mas toda a criação.
Nota-se que por vezes o Senhor nos interpelou ao afirmar que nenhum pássaro ‘passa despercebido diante de Deus (Lc 12, 6) ou que as aves são alimentadas pelo Pai celeste (Mt 6, 26), para fazer-nos sentir a providência, mas com isso aprendemos também o quanto a criação é querida e cuidada por Deus. Nos questiona o Papa se ouvindo isto alguém «será capaz de maltratar ou causar-lhes dano»?!?.
No entanto, o centro de toda a argumentação a favor da preservação ambiental é a justiça pelo bem comum, assentada na opção preferencial pelos pobres. Toda intervenção do homem na natureza que provoque danos sociais, e certamente ocorrerá, incidirá sobre o mais desfavorecido.
A poluição do ar, por exemplo, produz «vasta gama de efeitos sobre a saúde, particularmente dos mais pobres, e provocam milhões de mortes prematuras»; a elevação do nível do mar e dos oceanos fazem com que os moradores tenham de mudar-se, os mais pobres deles não terão para onde ir; a contaminação da água somada a falta de saneamento causa doenças como a diarreia e a cólera, levando à óbito um gigantesco número de crianças; a destruição de florestas com seus ecossistemas ou a poluição de rios resulta na falta de alimento na mesa dos mais miseráveis que somente possuíam tais maneiras de sustentos.
Poderia alguém após esta explicação afirmar ainda que o cuidado do meio ambiente não tem importância ou que a referida encíclica é sem valor ou desprovida de senso de proporções, como alguns dizem?
O cenário atual é o do mundo com seus recursos explorados cada vez com mais veemência, onde a população e o consumo aumenta e a quantidade de alimento reduz. Diante deste quadro não podemos cair no erro de querer reduzir a população mundial, com uma «redução da natalidade», através do que estão chamando de «saúde reprodutiva» como forma de anestesiar a consciência das pessoas que fazem uso do aborto e métodos contraceptivos.

Culpar o incremento demográfico em vez do consumismo exacerbado e seletivo de alguns é uma forma de não enfrentar os problemas. Pretende-se, assim, legitimar o modelo distributivo atual, no qual uma minoria se julga com o direito de consumir numa proporção que seria impossível generalizar, porque o planeta não poderia sequer conter os resíduos de tal consumo. (Laudato Si, n. 50)

Não podemos deixar que «alguns se considerem mais dignos do que outros», que se sintam mais humanos que outros»! Não é possível que a uns sejam dados banquetes e a outros as migalhas que caem da mesa, pois todos, como filhos de Deus, são chamados a participar da mesa ofertada pelo Pai celestial. Os pobres são verdadeiramente consumidos, usados pelos poderosos, são eles os alimentos de suas mesas.


Penso que com tudo isso compreende-se a carta de forma correta e integral. No entanto, sem querer nem poder extrair todo o ensinamento contido nela, destacarei mais um ponto relevante.
É notável o que o Papa diz sobre a assistência aos pobres, enquanto alguns defendem o assistencialismo, ele afirma que «ajudar os pobres com o dinheiro deve ser sempre um remédio provisório para enfrentar emergências. O verdadeiro objetivo deveria ser sempre consentir-lhes uma vida digna através do trabalho». Nisto retrucam os liberais e os socialistas.

Por um lado, critica «a diminuição dos postos de trabalho, que são substituídos por máquinas», acusando uma atitude de imediatismo, renunciando investir nas pessoas para «se obter maior receita imediata», ao que diz ser um «péssimo negócio para a sociedade», por outro, afirma que é «indispensável promover uma economia que favoreça a diversificação produtiva e a criatividade empresarial».

A atividade empresarial, que é uma nobre vocação orientada para produzir riqueza e melhorar o mundo para todos, pode ser uma maneira muito fecunda de promover a região onde instala os seus empreendimentos, sobretudo se pensa que a criação de postos de trabalho é parte imprescindível do seu serviço ao bem comum. (Laudato Si, 129)

A partir do crescimento do mercado poderemos diminuir a pobreza, mas não pode-se esquecer que o mercado por si mesmo não possui capacidade de realizar este objetivo, em suma, não deve ser absoluto. Há várias formas de mudar o cenário social e ambiental, passando desde a educação na infância até a uma conversão ecológica, como chama o Papa. Estas orientações foram enunciadas na encíclica, mas limito-me a ficar apenas com o que acima foi dito.
Portanto, sublinho mais uma vez que a estupenda riqueza contida na encíclica não deve ser deixada apenas tornada real por meio da tinta no papel. Espero poder converter-me também nesta matéria, e com esse texto queria contribuir para com a conversão dos demais.


Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa. (Laudato Si, 217)

_____________

Para citar: MOTA, Gabriel Luan Paixão. A doutrina contida na Laudato Si. Publicado no blog Regozija-te com a verdade, aos 22 de junho de 2016.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Paráfrase da Ave-Maria por São Luís de Montfort



Salve, Maria Santíssima!

Hoje, dia 1º de janeiro, comemora-se a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Para honrá-la, publicamos uma paráfrase que São Luís Maria Grignion de Montfort fez da Saudação Angélica (ou Ave-Maria), através da qual Nossa Senhora se tornou a Mãe do Salvador.


________________________



Ave, eu vos saúdo com o mais profundo respeito, pois vós sois sem pecado, ó Maria, Iluminada com os raios do Sol da Justiça, Estrela do Mar, Estrela Polar que guia os navios de nossas almas durante a jornada desta vida,

Sois cheia de graça e cheia dos dons do ESPÍRITO SANTO,

O SENHOR é convosco, e esta união é nobilíssima e mais íntima que aquela que ELE tem com os santos e os justos, pois vós sois uma com ELE; sendo ELE vosso FILHO e Carne de vossa Carne, estais unida ao SENHOR por causa da perfeita semelhança com ELE e pelo vosso amor mútuo, por serdes Sua Mãe. A SANTÍSSIMA TRINDADE é convosco porque vós sois o Seu Templo.


Bendita sois vós entre todas as mulheres e sobre todas as nações, por vossa pureza e fertilidade; transformastes as maldições divinas em bençãos para nós.

E bendito é o fruto de vosso ventre, que concebestes sem a mínima perda de vossa virgindade, que carregastes sem desconforto e destes à luz sem dor. Bendito seja JESUS que redimiu nosso Mundo sofredor enquanto estávamos presos às cadeias do pecado, que curou o Mundo de sua doença, que ressuscitou os mortos para a vida, que trouxe para a casa o que lhe fora banido, justificou o homem criminoso, salvou o homem da danação.

Santa Maria, Santa de corpo e alma, Santa por causa de vossa incomparável abnegação no serviço de DEUS. Santa em vossa nobreza exuberante de Mãe de DEUS, que O contemplastes com perfeita santidade, da mais alta dignidade.

Mãe de Deus e nossa Mãe, Transbordante das graças de DEUS, de Quem sois a tesoureira, e que as dispensais para nós. Obtende para nós, sem demora, o perdão de nossos pecados, e dai-nos a graça de sermos reconciliados com a infinita Majestade de DEUS.

Rogai por nós pecadores, vós que sempre sois cheia de compaixão pelos necessitados, que nunca desprezais os pecadores, sem os quais nunca seríeis a Mãe do REDENTOR.

Rogai por nós agora, durante esta vida curta, tão cheia de tristeza, de sofrimento e incertezas. Agora, porque não temos certeza de nada, a não ser do momento presente. Rogai por nós agora, porque estamos sendo atacados dia e noite por poderosos e cruéis inimigos.



Rogai por nós agora e na hora da nossa morte, tão terrível e cheia de perigos, quando nossas forças se esgotam e nossos espíritos desfalecem-se, e nossos corpos estão exaustos com medo e pena. Rogai por nós então, na hora da nossa morte, quando satanás redobra seus esforços para nos perder para sempre. Rogai por nós na hora da decisão, quando a morte lançará duma vez por todas o nosso destino eterno, o Céu ou o Inferno. Vinde em auxílio de vossos pobre filhos, ó Terna Mãe de piedade, ó Advogada e Refúgio dos pecadores, protegei-nos na hora da nossa morte. Expulsai para longe de nós nossos terríveis inimigos, os demônios acusadores, que com suas horrorosas presenças enchem-nos de pavor. Iluminai nossos passos no vale das sombras da morte. Oh Mãe, levai-nos ao trono de julgamento de vosso FILHO e não nos abandoneis lá. Intercedei por nós, a fim de que ELE nos perdoe e nos aceite no número dos abençoados escolhidos no Reino da Eterna glória.



Amém – Assim seja”

_______________________________

Santa Maria, Mãe de Deus, e São Luís de Montfort, rogai por nós!
_______________________________

Fonte: O Segredo do Rosário, pp. 57-62. Editora da Divina Misericórdia - adaptado.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | GreenGeeks Review