O que não te contaram sobre as Orações Eucarísticas[1]
Por Dom Cassian
Folsom, O.S.B.[2]
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Dom Cassian Folsom, O.S.B, ao fundo. |
No
entanto, isto não foi sempre assim. Durante uns 1600 anos antes, o Rito Romano
somente conheceu uma única Oração Eucarística: o Cânon romano.
Hoje,
em uma paróquia média, a Oração Eucarística II é frequentemente a mais usada,
inclusive no domingo. A Oração Eucarística III também se utiliza com bastante frequência, sobretudo aos domingos e dias festivos. A
quarta Oração Eucarística apenas se utiliza um ou outra vez; em parte porque é
longa, em parte porque em alguns lugares dos EUA foi extraoficialmente proibida
devido ao uso frequente da palavra "homem". A primeira Oração
Eucarística, o Cânon romano, que havia sido utilizada no Rito Romano
exclusivamente durante mais de um milênio e meio, hoje em dia quase nunca se
utiliza. Como disse um liturgo especialista italiano: "seu uso hoje é tão
mínimo que estatisticamente é irrelevante." [4]
Isto
é uma mudança radical na liturgia Romana. Por que não há mais pessoas
conscientes da enormidade desta mudança? Quiçá, como se dizia o Cânon em
silêncio, seu conteúdo e sua dignidade era conhecidos pelos sacerdotes - com
certeza -, mas não pela maioria dos leigos. Portanto, quando se começou a dizer
em voz alta e em língua vernácula a Oração Eucarística, com quatro orações para
escolher - e o Cânon Romano era escolhido em raras ocasiões, se o era alguma
vez -, o leigo não se dava conta de que 1600 anos de tradição se haviam
desvanecidos como uma civilização perdida, deixando poucos rastros para trás,
e, era de interesse somente para arqueólogos e turistas.
O
que ocorreu? Por quê ocorreu? Como devemos responder a nova situação? Estas
perguntas são o tema deste trabalho.
O
que ocorreu é grande para contar, porque o período de história da liturgia em
questão é complicado e complexo. No entanto, é necessário seguir de perto o
caminho do desenvolvimento das intrincadas transformações, para estar em
condições de compreender por que as coisas ocorreram como o fizeram.
1. Sacrosanctum Concilium
(4 de dezembro de 1963)
O
artigo 37 do esquema da liturgia - no documento final seria numerado artigo 50
- trata do Ordo Missae. Nos debates sobre este texto, somente um dos Padres do
Concílio, o bispo Wilhelm Duschak, S.V.D., pediu uma nova oração eucarística,
justamente para substituir o Cânon romano ou para que fosse utilizada como
alternativa [5].
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Uma das Seções do Concílio Vaticano II |
Por
outro lado, vários Padres em seus comentários sobre o artigo 37/50 sublinharam
que o Cânon não deveria ser tocado. Na própria votação, um número de votos
placet iuxta modum expressaram as mesmas reservas. O relator respondeu dizendo
que estas preocupações já haviam sido refletidas na frase "tomando-se o
devido cuidado para preservar a substância dos ritos" (probe servata eorum
substantia), porém a Comissão Pós-conciliar abandonaria esta posição.
Segundo
Jungmann, a mente do relator era que devia dar-se margem à tarefa pós-conciliar
da reforma [6]. Em qualquer caso, nem o esquema nem o texto final da
Sacrosanctum Concilium faz nenhuma menção de novas orações eucarísticas.
2. Iniciativas privadas
para revisar o Cânon romano ou compor novas orações eucarísticas (1963-68)
No
entanto, as iniciativas privadas para revisar o Cânon romano já se estavam
realizando. Duas destas iniciativas foram publicadas em revistas científicas: a
de Hans Kung em 1963 [7], e Karl Amon [8] em 1965 [9].
Muitas outras novas composições de orações eucarísticas as seguiram, algumas
delas publicadas e algumas não. Um dos elementos mais importantes desta
história é a pressão política exercida pela Igreja dos Países Baixos sobre a
Santa Sé.
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Entre
1965 e 1966, antes de que se permitisse a língua vernácula para o Cânon, já
estavam circulando traduções do Cânon e textos de novas orações eucarísticas na
Holanda [10]. A Conferência Episcopal Holandesa, na pessoa do bispo
Jean Bluyssen de Hertogenbosch, presidente da Comissão Litúrgica Nacional e
membro da Comissão Pós-conciliar para a realização das Reformas Litúrgicas -
depois Consilium -, apresentou uma solicitação oficial à Santa Sé para a
permissão de uso destes textos. (Nota: primeiro a experimentação não foi
autorizada, mas foi depois por pressão). No outono de 1966, ocorreram muitas
idas e vindas de mensagens e emissários entre os Países Baixos e Roma como a
finalidade de resolver o problema. Annibale Bugnini, o secretário do Consilium,
informa o que ocorreu:
"A raiz da visita
do Padre Bugnini à Holanda, se constituiu uma comissão especial para o exame de
umas anáforas apresentadas pela Comissão Litúrgica do dito país. Depois de
várias reuniões viu-se que era difícil aprová-las. O Consilium havia sugerido
aos holandeses para que esperassem as novas orações eucarísticas que estavam
preparando." (Bugnini, p. 407, n.8).
Em
janeiro de 1967, os que tinham autoridade chegaram a um acordo de que haveria
de se conceder algumas das petições da Conferência holandesa: entre essas
solicitações, a tradução do Cânon e o estudo e eventual aprovação de três novas
anáforas. O Papa Paulo VI nomeou uma comissão curial especial para que se
considerasse "se não convinha estender as concessões previstas para a
Holanda a outros países ou a toda a Igreja" (Bugnini, p.93).
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Beato Papa Paulo VI e o secretário do Consilium, Annibale Bugnini, já sagrado bispo |
No
entanto, muitos grupos e partidos, não estando dispostos a esperar a palavra de
Roma, simplesmente seguiram adiante por sua conta. Os bispos holandeses
elegeram onze orações eucarísticas das muitas que estavam em circulação e as
publicaram para seu uso oficial (11 de novembro de 1969). Os bispos de língua
flamenga da Bélgica fizeram o mesmo, mas limitaram a seleção a cinco orações (1
de novembro de 1969). Um ano antes, os bispos da Indonésia haviam dado sua
aprovação a dez orações eucarísticas (24 de outubro de 1968). As orações
holandesas foram traduzidas ao alemão [11] (1968) e passaram por
muitas impressões (cf. Bugnini, p. 410). Na França, havia uma centena de orações
eucarísticas em circulação [12]. Bernard Botte se queixa em 1968
sobre a total anarquia que reinava nas zonas de língua francesa pelo uso de
orações eucarísticas não autorizadas [13].
Enquanto
todas estas iniciativas privadas estavam acontecendo, o que estava ocorrendo no
âmbito oficial?
3. Grupo de Estudo do
Consilium e seu trabalho no Ordo Missae (1965)
A
Oração Eucarística em si não foi originalmente uma preocupação do Consilium,
mas a revisão do Ordo Missae. Este foi atribuído ao Grupo de Estudo. No decorre
da tarefa, a questão do Cânon romano surgiu inevitavelmente. Bugnini nos
descreve a situação:
"Cânon romano:
Esta era a questão mais delicada e complexa. Por um lado, a veneração por esta
Oração fazia titubear o grupo diante da perspectiva de trocá-la; por outro
lado, as propostas dos estudiosos e os pedidos dos pastores impulsionavam a
dar-lhe um ordenamento distinto, mais lógico. Para resolver os problemas, se
acordou experimentar com três formas revisadas do Cânon romano" (Bugnini,
p. 302).
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Cânon Romano ou Oração Eucarística I |
Logo
saíram as notícias destes experimentos, e várias pessoas se queixaram diante da
Santa Sé. O que ficou evidente foi que a mão direita não sabia o que estava
fazendo a mão esquerda. Bugnini informa que o Secretário de Estado, o cardeal
Cicognani, escreveu ao presidente do Consilium, o cardeal Lercaro, em 25 de
outubro de 1965 e de novo em 10 de dezembro de 1965, pedindo precaução extrema
(Bugnini, p. 132, n.28). Aos 7 de março de 1966, o secretário de estado
comunicou esta mensagem do Papa Paulo VI ao Consilium:
"... apresso-me a
comunicar-lhe o desejo de Sua Santidade de que o Cânon mesmo não seja tocado,
ao menos por hora; toda eventual mudança deverá ser, portanto, submetida à
aprovação explícita do Santo Padre, o qual, por sua vez, pensa que não deve se
fazer mudança alguma no Cânon sem prévios estudos documentados e rigorosos e,
se chegar ao caso, sempre depois de consultar o Episcopado. Tenho que vos lhes
dizer que, considerado em conjunto, quiçá seja melhor deixar o texto
tradicional inalterado; isto, no entanto, não significa que o estudo da matéria
não continue" (Bugnini, p. 132, n.28).
O
Santo Padre estava freando, mas não desanimando um estudo posterior.
O
Consilium, por outro lado, voltou ao tema da oração eucarística alguns meses
mais tarde, apresentando uma nova solicitação a Paulo VI em 25 de maio de 1966:
"Se chegara ao
momento de voltar a estudar a questão da composição de uma nova oração
eucarística, tendo presente as dificuldades que o atual Cânon romano apresenta
desde o ponto de vista pastoral, o Grupo [de Estudo] se sentiria honrado se
pudesse redigir os projetos. Nesse caso se sentiriam igualmente obrigado a
conseguir que também na nova oração brilhe claramente o gênio romano, de modo
que a Missa romana seja coerente com o espírito da liturgia romana"
(Bugnini, p. 396).
Um
mês depois, em 20 de junho de 1966, o cardeal Lercaro apresentou a seguinte
solicitação ao Santo Padre:
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Cardeal Giacomo Lercaro |
"O texto da Oração
Eucarística [Cânon Romano] apresenta muitas e delicadas dificuldades diante de
uma eventual revisão e igualmente apresenta problemas, não pequenos, à sua
conservação íntegra. O Cânon romano, sobretudo se recitado em voz alta, resulta
pesado por sua mesma invariabilidade e por seus elementos demasiado locais,
como são as listas dos santos... As propostas avançadas por muitos se inclinam
por uma revisão do texto que implicaria a redução dos elementos citados e a reorganização
das intercessões (Memento, Communicantes, Nobis quoque), de modo que a Oração
Eucarística tenha maior unidade em sua relação com o prefácio, o Sanctus e a
anamnesis. Mas todo retoque é sempre perigoso, sobretudo tratando-se de pôr a
mão em textos de uma tradição tão veneráveis. Parece mais conveniente conservar
integralmente o texto tradicional do Cânon e redigir uma ou mais fórmulas de
Orações Eucarísticas inteiramente novas que se adicionaria à tradicional como
alternativas, com o fim de dispor também de uma maior variedade de textos"
(Bugnini, p. 396).
É
interessante individualizar os motivos da mudança proposta:
1 - O Cânon romano
resulta pesado se recitado em voz alta, porque sempre é o mesmo.
2 - A lista dos santos é
demasiada local.
3 - O Cânon é
insatisfatório desde um ponto de vista estilístico e requereria uma remodelação
considerável com o fim de aparecer como uma só unidade literária.
Apesar
destas objeções ao Cânon romano, entretanto, o Consilium fez o juízo cautelar
de que era demasiado perigoso manipular o texto, e de que era melhor, portanto,
oferecer algumas alternativas com objetivo de responder aos defeitos mencionados,
e de oferecer alguma variedade. Como informa Bugnini, "a decisão do Papa
fui precisa: 'Deixe-se a anáfora sem mudá-la: componha-se e busque-se duas ou
três anáforas para usá-las em tempos determinados'" (Bugnini, p. 396)
Se
se toma literalmente, esta decisão deixaria a primazia do lugar ao Cânon
romano, uma vez que acrescenta várias outras orações eucarísticas ao
repertório, com uma função subsidiária. (De fato, isto não foi o que
aconteceu). Os "tempos determinados" não se especificaram, e o Santo
Padre deixou aberta a possibilidade de apropriar-se novas anáforas da tradição
ou de compor orações inteiramente novas.
Com
esta luz verde do Santo Padre, o Consilium se pôs a trabalhar imediatamente.
4. Vagaggini e o verão de
1966
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Livro de Cipriano Vagaggini |
O
Grupo de Estudo, que trabalhava no Ordo Missae, foi agora ampliado para
responder à nova tarefa por fazer. O Padre Vagaggini, um monge beneditino e
professor no Pontifício Ateneo de Santo Anselmo em Romano, passou o verão de
1966 na biblioteca de Mont-César, na Bélgica, fazendo um exaustivo estudo sobre
o Cânon romano e compondo duas novas orações eucarísticas - que são a base para
as atuais Orações III e IV. O trabalho de Vagaggini foi publicado em forma de
livro no mesmo ano [14]; assim, a discussão passou do círculo
restringido do Consilium ao foro público geral, aumentando as expectativas de
uns e arrepiando outros (como Jungmann) [15].
As
propostas de Vagaggini foram depois examinadas por todo o Grupo de Estudo,
vários peritos, e os Padres do Consilium. Decidiu-se atuar sob as instruções de
Paulo VI adotando duas anáforas já existentes, a de Hipólito - inspiração para
a Oração Eucarística II - e a anáfora alexandrina de São Basílio - que acabou
recusada devido a certas dificuldades teológicas. As novas composições adotadas
foram as duas propostas por Vagaggini.
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Josef Andreas Jungmann, SJ, um dos principais promotores do Movimento litúrgico |
Uma
das principais razões dadas para propor estas novas anáforas foi o princípio da
variedade. Segundo o arcebispo Annibale Bugnini, durante o tempo de secretário
da Congregação para o Culto Divino, "este tipo de variedade pareceu
necessário para poder dar à liturgia romana aquela maior riqueza espiritual e
pastoral que não se pode fechar em um único texto" (Bugnini, p. 398).
Nas
explicações dadas para estes novos textos, se colocou uma ênfase em seu
tamanho. Dos três novos textos que foram finalmente aprovados, um é bastante
curto (OE II), um é médio (OE III) e um bem comprido (OE IV), já que inclui uma
exposição resumida de toda a economia da salvação.
5. Passos no processo até
a promulgação oficial
De
maneira muito esquemática, estes são os passos que o texto das novas Orações
Eucarísticas recorreu para receber sua aprovação final (cf. Bugnini,
p.406-409):
A -
Abril de 1967: o esquema foi aprovado pelo conselho presidencial do Consilium,
e logo pelos Padres. Foi enviado ao Papa em 3 de maio de 1967. (O esquema
também incluiu novo novos prefácios).
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São Basílio Magno |
B -
O Santo Padre ordenou que o esquema fosse enviado à Congregação para a Doutrina
da Fé e à Congregação de Ritos (junho de 1967). A CDF não aprovou a anáfora -
literalmente, "oferenda", outro nome [usado no oriente] para a Oração
Eucarística - alexandrina de São Basílio pelo problema teológico da epiclese
(invocação do Espírito Santo).
C - 10
de julho: Por ocasião do próximo Sínodo dos Bispos, o Papa Paulo VI escreveu ao
Consilium com estas instruções: "Pode proceder-se a preparação de um
folheto [que contenha as anáforas novas] para apresentá-lo aos Rev. Padres no
próximo sínodo: no entanto, considerando tudo o que se refere à fórmula da consagração,
é oportuno que não seja modificada" [16].
D
- O Sínodo dos Bispos se celebrou no outubro de 1967. Entre as questões litúrgicas
em discussão esteve a questão das novas Orações Eucarísticas. Uma série de
"perguntas pontificais" se apresentaram antes aos Padres para uma
votação aos 14 de outubro de 1967; entre elas a pergunta: "Se aprova que,
além do Cânon romano, se introduzam na liturgia latina outras três Orações
Eucarísticas?". Dos 183 Padres com voto, uma grande maioria disse que sim,
22 disseram que não e 34 disseram que sim, com ressalvas (placet iuxta modum) [17].
Os modi são os seguintes:
1. O Cânon romano deve
ocupar sempre o lugar de honra e ser usado aos domingos e festas mais solenes.
2. Formule-se, para o uso
de uma ou outra forma, normas bem concretas e não se deixe ao arbítrio do
celebrante.
3. As novas Orações
Eucarísticas sejam [utilizadas] somente para com grupos seletos bem preparados.
4. Antes de colocá-las em
prática, submeta-se ao exame das Conferências Episcopais e instrua-se bem os fiéis.
5. Não se admitam somente
três novas Orações Eucarísticas, mas mais, tomando-as das liturgias orientais;
além disso, deixe às Conferências Episcopais a faculdade de compor outras
próprias.
6. Seja revisado também o
Cânon romano, para facilitar seu uso.
Como
se pode ver, nem todos os modi seguiam a mesma línea de argumentação. Bugnini
comenta que o valor da votação foi "muito relativo" porque os Padres
não estavam votando como representantes reais de suas conferências episcopais,
mas como bispos individuais (Bugnini, p. 308). Em qualquer caso, a resposta do
Sínodo foi amplamente favorável.
E -
No entanto, a publicação das novas Orações Eucarísticas atrasou. Bugnini
atribui a demora às "costumeiras ingerências". Além disso, o
secretário de estado insistiu em 28 de janeiro de 1968 em que uma instrução
adequada fosse publicada junto com os novos textos.
F
- A aprovação definitiva foi dada em 27 de abril de 1968.
G
- As três novas Orações Eucarísticas foram promulgadas por um decreto da
Congregação de Ritos em 23 de maio de 1968 [18], que também
determinou que as orações podiam serem utilizadas a partir de 15 de agosto de
1968.
H
- No mesmo dia foi publicado o documento "Normas sobre o uso de Orações
Eucarísticas I-IV" [19]. Já que estas normas não são muito conhecidas,
vale a pena citá-las aqui:
1. A Oração Eucarística
I, ou seja, o Cânon romano, pode ser utilizado sempre; seu uso é especialmente
adequado aos dias que contenham Communicantes próprio ou um Hanc Igitur próprio;
às festas dos apóstolos e dos santos mencionados nesta Oração; também aos
domingos, a menos que razões reclamem uma oração eucarística diferente. (Esta
norma, na prática, reduz o uso do Cânon romano a algumas poucas ocasiões especiais)
[20].
2. Devido a suas
características distintivas, a Oração Eucarística II se adapta melhor aos dias
de semana ou a ocasiões especiais. (Esta norma, na prática, amplia o uso desta
Oração Eucarística; a característica mais destacada se refere a sua brevidade).
3. Pode-se utilizar a
Oração Eucarística III com qualquer dos Prefácios; com o Cânon romano, deve ter
prioridade aos domingos e festas. (Esta norma, na prática, substitui o Cânon
romano pela Oração Eucarística III).
4. A Oração Eucarística
IV possui um prefácio imutável... Pode-se utilizá-la sempre que uma missa não
tenha prefácio próprio; seu uso é particularmente adequado para uma congregação
de pessoas com um conhecimento mais desenvolvido da Escritura. (Essa norma, na
prática, limita o uso desta Oração Eucarística à raras ocasiões: não pode ser
usada durante os tempos fortes quando há um prefácio próprio, ou seja, Advento,
Quaresma, Semana Santa. Além disso, a observação, um pouco complacente com uma
assembleia mais educada, se levada sério, limitaria ainda mais o seu uso).
I
- Uma semana ou mais tarde, em 2 de junho de 1968, o novo presidente do
Consilium, o cardeal Benno Gut, enviou uma carta aos presidentes das
Conferências Episcopais [21], junto com diretrizes para ajudar na
catequese das anáforas da Missa [22].
J
- A Constituição Apostólica Missale Romanum foi promulgada na quinta-feira
santa, 3 de abril de 1969, mas devido a forte controvérsia, a editio typica não
foi expedida até a quinta-feira santa do ano seguinte, 26 de março de 1970.
6. Problemas depois da promulgação
oficial das novas Orações Eucarísticas
Poder-se-ia
haver esperado que a publicação oficial do novo Missal, com três novas Orações
Eucarísticas além do Cânon romano, teria posto fim às experimentações sem
limites. "Se esperava que a publicação de novas Orações Eucarísticas
servisse para eliminar ou atenuar este fenômeno [de muitas composições privadas
em circulação]", escreve Bugnini. "Mas não aconteceu assim"
(Bugnini, p. 410). Tinha-se permitido que o gênio saísse da garrafa e não
voltaria facilmente a entrar. Determinadas Conferências Episcopais ignoraram os
protestos de Roma. As advertências, no entanto, eram ambíguas já que a
Congregação para o Culto Divino havia dado permissão a um bom número de orações
eucarísticas para grupos especiais e ocasiões especiais [23].
Em
27 de maio de 1971, o Culto Divino explicou o problema ao Papa Paulo VI
sugerindo que a questão necessitava ser estudada mais rigorosamente:
"Acredita-se que o Instituto Litúrgico de Paris tenha colecionado e examinado
mais de duzentas orações eucarísticas... Se o Santo Padre o permite, esta
Congregação recolheria sistematicamente todo o material existente para
examiná-lo... com o propósito de obter uma visão clara das dimensões do
problema e enfrentá-lo com mais clareza e sobre uma base sólida" (Bugnini,
p. 411).
Em
22 de junho de 1971, chegou a resposta da Secretaria de Estado:
"Dada a extensão
do uso indiscriminado de orações eucarísticas não aprovadas, o Santo Padre
deseja que a questão seja reexaminada cuidadosamente em todos seus aspectos,
com o objetivo de encontrar uma solução que ponha fim a esta grave forma de
indisciplina em matéria litúrgica" (Bugnini, p. 411-412).
Assim,
foi designado um grupo de estudo especial em 17 de setembro de 1971 para
examinar o assunto.
7. O trabalho do Grupo de
Estudo Especial
Desde
outubro de 1971 a março de 1972, este Grupo de Estudo Especial se reuniu várias
vezes produzindo um documento de trabalho de uma centena de páginas analisando
o problema e propondo soluções. Na terceira reunião, em 25-26 de janeiro de
1972, o grupo, composto de 17 membros, votou quatro perguntas (cf. Bugnini, p.
412-414):
1) Deve se autorizar um
maior número de orações eucarísticas no Missal Romano?
Sim: 10; Não:3; iuxta
modum:4.
2) Deve se autorizar um
maior número de orações eucarísticas naquelas regiões onde as Conferências
Episcopais julguem oportuno?
Sim:12; Não:0; iuxta
modum:5.
3) É aceitável a proposta
do n. 39a do esquema? (Ou seja, que a Congregação para o Culto Divino prepare modelos
de orações eucarísticas, com a possibilidade de adaptá-las ligeiramente)
Sim:8; Não:8; iuxta
modum:1.
4) É aceitável a proposta
do número 29b do esquema? (Ou seja, que a Congregação para o Culto Divino
proponha os critérios conforme os quais as Conferências Episcopais possam
julgar ou compor novas orações eucarísticas)
Sim:8; Não:5; iuxta
modum:4.
O
claro consenso do grupo foi que deveria se permitir mais orações eucarísticas.
Não houve um acordo claro, no entanto, sobre o papel da Congregação para o
Culto Divino na guarda ou direção da composição destas orações.
Alguns
dos consultores da Congregação que não haviam sido consultados sobre estas
questões, mas que as apreciavam fortemente, publicaram seus próprios
resultados, chegando a conclusões totalmente opostas; a saber: que era
inoportuno compor novas orações eucarísticas, além das que já estavam no Missal
Romano. Publicado, este informe despertou a atenção de vários setores,
incluindo a Congregação para a Doutrina da Fé, e se produziu uma grande controvérsia.
O secretário de estado viu-se obrigado a intervir para repreender
diplomaticamente a Congregação para o Culto Divino, e fazer algo para
contabilizar os danos. O Papa Paulo VI, em 28 de fevereiro de 1972, em uma
audiência com Bugnini - a quem havia ordenado bispo em 13 de fevereiro de 1972
- também emitiu uma espécie de reprovação: "De novo recomendo vivamente à
Congregação [para o Culto Divino] que se esforce para pôr fim à tendência de
multiplicar orações eucarísticas", acrescentando uma série de explicações:
- Outras Congregações
competentes na matéria deverão ser consultadas (implicando que o Culto Divino
não deveria atuar por sua própria conta);
- Deve se valorizar a
uniformidade da liturgia;
- Os experimentos
arbitrários devem cessar;
- As Conferências
Episcopais não possuem autoridade para introduzir novas orações eucarísticas, a
menos que tenham recebido permissão da Santa Sé (Bugnini, p. 414-415)
Em
uma reunião plenária do Grupo de Estudo Especial, de 7 a 11 de março de 1972, a
Secretaria de Estado pediu que os membros fossem alertados sobre as últimas
comunicações enviados por ela à Congregação para o Culto Divino, para que os
Padres "não conhecendo exatamente o pensamento de sua Santidade, continuem
pelo caminho marcado por peritos, não de todo conforme com as diretrizes que
tenha sido comunicadas..." (Bugnini, p. 415, n.33).
8. Advertências perdidas
ou ignoradas
Deste
modo, havia sido enviado sinais negativos à Congregação para o Culto Divino e
ao Grupo de Estudo, mas parece que estes sinais não foram bem entendidos. Ao
contrário, o trabalho continuou a todo vapor e em uma sessão plenária de toda a
Congregação para o Culto Divino, o esquema para as orações eucarísticas foi
examinado e o assunto submetido a votação (Bugnini, n.415-416):
1. Devido a situação
atual da evolução e do uso de orações eucarísticas, a autoridade competente
deve fazer algo para aumentar o número das ditas orações?
Sim: 13; Não:0; iuxta
modum:3.
2. Considera-se
suficiente que a Santa Sé prepare algumas orações eucarísticas novas?
Sim:2; Não:12; iuxta
modum:2.
3. Considera-se
suficiente que a Santa Sé componha modelos que as Conferências Episcopais
possam adaptar?
Sim:0; Não: 16.
4. É aceitável que as
Conferências Episcopais possam compor novas orações eucarísticas, conforme os
critérios propostos pela Santa Sé, submetendo-as à mesma Santa Sé?
Sim:11; Não:3; iuxta
modum:2.
5. Aprovam-se os
critérios expostos no capítulo VI para compor e julgar as orações eucarísticas?
Sim:9; Não:2; iuxta
modum:5.
A
tendência progressiva do grupo é clara. Queriam mais orações eucarísticas; a
Santa Sé nem deve preparar estas orações, nem prover modelos para elas; no
entanto, as Conferências Episcopais poderiam compor novas orações por sua
própria autoridade.
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Papa Paulo VI celebrando, segundo algumas fontes, a primeira Missa regulada pelo Novus Ordo Missae |
A
informação do Cardeal Prefeito da Secretaria de Estado, em 12 de abril de 1972,
foi mais equilibrada e modesta no tom, mas seguiu incluindo a sugestão de que
se deveria conceder permissão às Conferências Episcopais para preparar novas
orações eucarísticas, "em circunstâncias extraordinárias, situação por
situação". A sugestão foi moderada, no entanto, pela condição de que a
Conferência devia primeiro solicitar a autorização, e logo preparar o texto,
que devia ser submetido aos organismos competentes da Santa Sé (Bugnini, p.
416). O Papa Paulo VI concedeu uma audiência ao Cardeal Prefeito em 20 de
abril, emitindo uma resposta por escrito um mês depois, em 23 de maio de 1972,
na qual proibia tornar público os debates em curso, mas dava autorização para
que preparasse um projeto de texto de uma Instrução sobre as orações
eucarísticas.
Este
projeto de texto foi preparado durante os meses de verão e foi enviado ao Grupo
de Estudo em 8 de setembro de 1972. Bugnini relata que "o grupo em sua
quarta e última reunião aos dias 25 e 26 do mesmo mês teve um clima de
desânimo" (Bugnini, p. 417). Apesar de estarem decepcionados por suas
sugestões que não haviam sido bem recebidas, persistiram em sua recomendação
para que se desse permissão para compor novas orações eucarísticas, em
determinadas condições, às Conferências Episcopais. Em 17 de novembro de 1972,
o secretário de estado enviou o projeto de Instrução à Congregação para a
Doutrina da Fé. A resposta da CDF foi negativa. Bugnini diz por quê:
"Ao passo que
tantos outros levantaram suas vozes para impedir a aprovação de novas orações
eucarísticas: um grupo de teólogos da Comissão Teológica Internacional (11 de
outubro), um arcebispo francês e aqueles consultores da Congregação do Culto
Divino que havia votado contra o Grupo de Estudo; todos exerciam pressão sobre
o Supremo Pastor..." (Bugnini, p. 417, n.34)
9. O "Não" do
Papa: "uma ducha de água fria"
Em
11 de janeiro de 1973, o secretário de estado comunicou a resposta da CDF ao
Culto Divino: "Sabendo que a Congregação para a Doutrina da Fé respondeu
negativamente à oportunidade de conceder às Conferências Episcopais a faculdade
de compor novas anáforas, é necessário ater-se ao dito indeferimento"
(Bugnini, p. 417).
A
carta do secretário de Estado também incluiu as seguintes diretrizes que logo
apareceram na Instrução sobre as orações eucarísticas publicada pela
Congregação para o Culto Divino:
- As Conferências
Episcopais devem pôr fim aos experimentos de orações eucarísticas.
- A Santa Sé não exclui
de modo absoluto a possibilidade de aprovar uma nova anáfora, mas sua
elaboração e promulgação deve ser acordado previamente com a Santa Sé.
- O Missal Romano já dá
margem suficiente para a adaptação [24].
A
reação de Bugnini demonstra que o Grupo de Estudo estava trabalhando em um
caminho bastante diferente da Santa Sé. Ele confessa: "Isto era uma ducha
de água fria depois de um ano e meio de trabalho duro e inteligente
[sic!]" (Bugnini, p. 418). Teve uma audiência com o Papa Paulo VI em 21 de
dezembro de 1972, na qual explicou a posição do Culto Divino: a Igreja tinha
que enfrentar "um fenômeno generalizado no qual não se podia pôr fim com
uma simples proibição nem tampouco ignorá-lo, mas canalizá-lo a fim de que a
Santa Sé pudesse, todavia, controlá-lo". O Papa expressou, então, sua
decisão: "Sem mais experimentos. A Santa Sé se reserva em compor novas
orações eucarísticas em casos particulares" (Bugnini, p. 418, n. 35).
Em
20 de janeiro de 1973 a Congregação para o Culto Divino esboçou, então, com
diligência a Instrução em forma circular. O secretário de Estado respondeu em
31 de janeiro de 1973, dizendo: "Guardada a substância, deve-se amenizar a
forma, incluindo as razões doutrinais e pastorais da decisão tomada"
(Bugnini, p. 418).
O
resultado de tudo isto foi um documento muito modesto, Eucharistiae
participationem [25], publicado em 27 de abril de 1973. Depois de expor
a situação sobre as orações eucarísticas compostas privadamente e de seu
caráter abusivo, a carta diz:
"Depois de pesado
todos os fatores, a decisão é que neste momento não é conveniente conceder às
Conferências dos bispos uma permissão geral para redigir ou aprovar novas
orações eucarísticas. Pelo contrário, considera-se que o caminho mais sábio é
optar por uma catequese mais completa sobre a natureza real da oração
eucarística..." [26]
A
Congregação para o Culto Divino havia sido severamente castigada.
FONTE: Ars Celebrandi (wordpress). Tradução de Gabriel Luan P. Mota.
___________________________________
[1] - Este artigo
apareceu publicado originalmente em inglês, em três partes, de setembro a
novembro de 1966 na revista Adoremus Bulletin.
[2] - Dom Cassian
Folsom, ordenado em 1984, é atualmente (2009) prior do monastério de San Benito
em Nursia. Desde 1993 é professor do Pontifício Instituto de Liturgia no
Pontifício Anteneo San Anselmo de Roma.
[3] - N. do tr.: a
terceira edição típica a que se refere o autor se atrasou até o ano de 2002.
Nesta edição [americana] foram incluídas 13 orações eucarísticas: 4 principais
e 9 no apêndice.
[4] - Enrico Mazza, "The Eucharistic Prayers of the Roman
Rite" (New York: Pueblo Publishing Company, 1986), p. xxxi.
[5] - Para um
posterior estudo histórico que mencione esta intervenção, cf. Notitiae 8
(1972), p. 132. O bispo Duschak propôs esta ideia pela primeira vez fora da
sala do Concílio, em uma conferência de imprensa, em 5 de novembro de 1962.
Para mais informação, cf. G. Caprile, Il Concilio Vaticano II, vol. 2: Il primo
periodo 1962-1963 (Roma, 1968), p. 114.
[6] - Josef Jungmann,
"Um die Reform des Reform des römischen Kanons: eine kritische
Stellungnahme zu C. Vagagginis Entwürfen", Liturgisches Jahrbuch 17 (1967)
2.
[7] - Hans Küng, "Das Eucharistiegebet: Konzil und Erneuerung der
römischen Liturgie", Wort und Wahrheit 18 (1963) 102-107.
[8] - Karl Amon, "Gratias Agere: Zur Reform des Messcanons",
Liturgisches Jahrbuch 15 (1965) 79-98.
[9] – Ambos os textos são convenientemente citados em Cipriano
Vagaggini, "The Canon of the Mass and Liturgical Reform" (Staten
Island, NY: Alba House, 1967), pp. 76-83.
[10] - Sigo a
história como vem contada em Annibale Bugnini, "The Reform of
Liturgy": 1948-1975 (Collegeville: The Liturgical Press, 1990) [n. do tr.
todas as citações desta obra estão conforme a edição espanhola, La Reforma de
la Liturgia (1948 - 1975), BAC, Madrid, 1999], p. 92-94. Já que dependo em
grande parte da narração de Bugnini deste período, e o cito com frequência,
todas as citações de sua obra aparecerão, a partir de agora, no corpo do texto.
[11] - Cf. A. Schilling, "Fürbitten und Kanongebete der
Holländischen Kirche", Essen 1968.
[12] - Philippe Béguerie, "La Prière Eucharistique", Notitiae
20 (1984) 196.
[13] - Bernard Botte, "Où en est la réforme du Canon de la
Messe?", Les Questions Liturgiques et Paroissiales 49 (1968) 138-141.
[14] - "Il
canone della messa e la riforma liturgica", Torino-Leumann: Elle di Ci, 1966.
[15] - Para uma
crítica das propostas de Vagaggini, cf. J. Jungmann, “Um die Reform des
römischen Kanons: eine kritische Stellungnahme zu C. Vagagginis Entwürfen”,
Liturgisches Jahrbuch 17 (1967) 1-7. A conclusão de Jungmann: Assim, quando se
levanta a questão de um novo cânon - e isto não se deveria buscar, em primeiro
lugar, em uma composição totalmente nova ou em um empréstimo (certamente, não
impossível) de uma anáfora estrangeira, mas de maneira que os elementos
atemporais e dignos de nossa própria tradição não fossem abandonados, mas
purificados e desenvolvidos ainda mais - então, pelas razões expostas, não se
encontrará a solução adequada na obra de Vagaggini. Não podemos seguir o
caminho até uma liturgia estranha sem examinar cuidadosamente e fomentar nossa
própria herança. O livro de Vaggagini - apesar de tudo - é uma importante peça
de trabalho. Pode fazer esta contribuição: Tornar claro este ou aquele ponto e
também é útil para fortalecer o ânimo de uma verdadeira reforma. Mas como
sugestão concreta, suas duas propostas [OE III e IV] nem sequer deveriam ser
consideradas" (p, 17).
[16] - O Consilium
não satisfeito com a resposta do Papa, explicou as razões das mudanças e pediu
que "ao menos nas novas orações eucarísticas, se conservasse o texto
aprovado". A permissão foi concedida em 12 de outubro de 1967. Mais tarde,
essas mudanças se introduziram também no Cânon Romano. Cf. Bugnini, p. 408.
[17] - Há um erro
aqui no texto de Bugnini, já que os números não fecham. O texto diz "Dos
183 padres com voto, 173 disseram que sim, 22 não e 33 sim, com
ressalvas". Isto faria 228 no total. [N. do tr.: na edição espanhola, p.
309, está corrigido: "Dos 183 votantes, 127 votaram sim, 22 não, 34 iuxta
modum"; nesta tradução este erro já foi corrigido]
[18] - Prece
eucharistica: Notitiae 4 (1968) 156.
[19] - Notitiae 4 (1968)
157-160.
[20] - N. del tr.:
letra cursiva no original.
[21] - "La publication", Notitiae 4 (1968) 146-148.
[22] - "Au cours des derniers mois", Notitiae 4 (1968)
148-155.
[23] - Cf. Bugnini,
p. 411 para uma lista destas concessões.
[24] - Para o texto completo,
ver Bugnini, p. 417418.
[25] - Eucharistiae participationem, Notitiae 9 (1973) 192-201.
[26] - International Commission on English in the Liturgy, Documents on
the Liturgy: 1963-1979 (Collegeville: The Liturgical Press, 1982), pp. 624-625.
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